Caetano Albuquerque

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Coletivo de indígenas do PCO

Organizar a luta indígena contra o imperialismo e os oportunistas

Contra os latifundiários e a infiltração das ONGs identitárias imperialistas é preciso organizar um coletivo revolucionário das populações indígenas

O PCO no último fim de semana realizou mais uma reunião de seu Comitê Central Nacional, dentre os debates acerca da situação política do país um dos principais pontos foi a questão indígena. Nos últimos meses, milhares de indígenas de todo o Brasil organizaram grandes manifestações com milhares de pessoas, sendo as maiores da história de todo o movimento, isso em resposta ao gigantesco ataque realizado pelos latifundiários contra essas populações intensificado com o golpe de Estado e principalmente com o governo Bolsonaro. Enquanto isso as direções pelegas do movimento são contra uma real mobilização combativa ou ainda pior, são ativamente controladas por organizações imperialistas, por isso o PCO levantou a necessidade de se criar um coletivo de indígenas que organize a sua luta de forma revolucionária.

O companheiro Renato Farac da direção nacional do partido, e que milita na área rural do sul da Bahia com trabalhadores do campo e também indígenas, concedeu uma entrevista ao Jornal Partido acerca da iniciativa. “A ideia do coletivo surgiu a partir da discussão atual sobre o Marco Temporal e o STF. Há cerca de 10 anos o tribunal tomou uma medida sobre a demarcação do território Raposa Serra do Sol em Roraima que abriu precedente para se contestar as terras indígenas que não estavam demarcadas ou em processo de demarcação antes da constituição de 1988, isso foi amplamente aproveitado pelos latifundiários que entraram na justiça com uma série de processos legais contra os indígenas. Para se ter uma ideia da importância da decisão no Estado da Bahia 80% das terras indígenas deixará de existir caso o Marco Temporal seja aprovado”.

As populações indígenas são um dos setores mais oprimidos de todo o Brasil, em grande parte são análogos aos moradores de favela nas cidades, só que no campo, massacrados diariamente pela polícia e pelos pistoleiros a mando dos latifundiários. O respaldo legal até hoje não resolveu o problema do índio, contudo a ofensiva do STF vem em conjunto com toda uma ofensiva fascista da direita que levará ao massacre de indígenas, em conjunto ao de trabalhadores rurais em todo o país. Essa situação de calamidade levou às grandes mobilizações em Brasília com 5 mil e 6 mil indígenas em diferentes dias, não só isso, como houveram bloqueios de estradas em todo o país, há uma tendência enorme de mobilização que deve ser organizada.

PORTO SEGURO. Manifestação dos indígenas de Porto Seguro no 7 de setembro pelo fora
Bolsonaro demonstra potencial das mobilizações em todo o país

Este ponto da organização do movimento indígena é a grande questão, a esquerda pequeno burguesa, que já não organiza a mobilização dos trabalhadores da cidade, que é algo muito mais simples, passa longe dos índios. Assim “As ONGs tomaram a direção do movimento com uma política que não é a favor da emancipação do indígena, na realidade é contrária a sua luta, é contrária ao armamento e defende manifestações passiva com apenas apresentações artísticas e performances enquanto no campo os assassinatos acontecem todos os dias”. Essas organizações em sua maioria são financiadas pelo próprio imperialismo e se aproveitam do vácuo de direção aberto para poder usar os próprios indígenas de base contra a cultura nacional, como se viu com a queima das estátuas, essa estratégia é muito presente nos países do Oriente Médio.

Enquanto isso, a realidade dos indígenas difere completamente do índio identitário idealizado pela esquerda pequeno burguesa que vive no século XV. Em sua grande maioria os indígenas não têm a pauta de preservação total da natureza como divulgado pelas ONGs, as suas reivindicações são, além da própria demarcação das terras, transporte, escolas, clínicas de saúde, acesso a energia, acesso à internet dentre outras das pautas comuns da população do campo.”O território do Xingu é uma exceção, a maior parte ou é sem terra ou está em terras muito pequenas. Isso principalmente no Sul, Sudeste e Nordeste, onde as terras não são o suficiente para quase nada, uma pesquisa recente revelou que 53% dos indígenas não têm nenhuma fonte de renda.”

A situação de calamidade das populações nativas assim como a infiltração imperialista no movimento indígena ambos são um indício da necessidade de se organizar a luta desse setor da população com base no programa do marxismo. É preciso lutar pela demarcação imediata de todas as terras, pelo reforma agrária e a destruição completa do latifúndio, pela investimento estatal do BNDES nas aldeias para garantir todas as reivindicações dos indígenas e por fim pelo armamento das populações indígenas que tem o direito de se defender das investidas fascistas da direita no campo. “Os indigena estão formando mecanismo para se defender, os guajajaras no maranhão formaram os Guardiões da Florestas, uma milícia armada para proteger suas terras, e isso é muito popular entre os indígenas”.

A questão dos indígenas é um ponto crucial na política nacional, apenas no quesito territorial ela abrange cerca de 13% do Brasil, uma área gigantesca, maior que a própria Bolívia e o interesse dos latifundiários e mineradoras corresponde a este tamanho. O imperialismo também aproveita para travar sua luta ideológica e caso seja possível e necessário aplicar sua política hedionda de divisão artificial do território nacional. Frente a estes ataques das classes dominantes os indígenas têm apenas uma saída, organizar a sua luta, em conjunto com todos os demais setores oprimidos, pela derrubada do capitalismo, esse é o papel do coletivo de indígenas do PCO.

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